A sua empresa tem o “Quê”?

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Ao longo do tempo, temos vindo a assistir a uma tendência das organizações, nas suas políticas de recursos humanos, de se aproximarem das técnicas de marketing. Assumimos que uma organização, como uma marca, precisa de ser apetecível, de criar atratividade, para captar e reter os seus talentos.
Como uma marca tem atributos, também uma organização precisa de aprender a posicionar-se no mercado de trabalho, ter características que a distingam da concorrência e que a tornem única e desejável… para os seus colaboradores atuais e futuros. Ter um certo “quê” que faz com que uns enviem o meu curriculo, outros aceitem ir à entrevista e outros a prefiram à concorrência; esse “quê”, que faz com que quem está, não procure ou não aceite ir embora.
O “quê”? Qual “quê”? O “quê” que faz uma empresa conseguir uma experiência, em que os seus colaboradores se sintam suficiententemente satisfeitos e leais.
Talvez esse “quê” seja afinal um P… aliás, 4, como os 4 P’s do marketing mix, mas aplicado à gestão de recursos humanos…
Senão, vejamos:
P de Price, o preço… trata-se de estabelecer pacotes de benefícios que os colaboradores sintam como justos. A justiça é a medida – o colaborador sentir que tem valor, para receber valor, pago em horário flexível, prémios, reconhecimento, work life balance, oportunidades de crescimento, variedade de tarefas, etc. E a propósito de preço, (à partida) sai mais caro recrutar que manter… os custos de recrutamento e seleção, de treino, adicionados ao custo da “desmoralização” e das consequências para a reputação organizacional, são um preço demasiado elevado.
P de Place… Trabalhar num local distinto, com acessos, facilidades, agrada a muitos. Pode mesmo ser critério de candidatura ou de escolha, por status e prestígio, mas também por comodidade (não demorar 2 h no trânsito começa a ser uma necessidade). O investimento em instalações agradáveis, até a possibilidade de trabalhar a partir de casa, surgem como novas possibilidades de uma organização ser atrativa aos seus colaboradores.
P de Product. O produto é, nem mais nem menos que uma experiência única de emprego, aquilo com que a empresa se compromete, a Promessa aos seus colaboradores. Esta deve acompanhar o que Hcczynski and Buchanan chamam de employment cicle: começa desde o momento do recrutamento, estabelecendo as expetativas corretas, criando oportunidades de crescimento, de carreira, de feedback do desempenho, com benefícios justos, formação, promovendo o apoio da equipa e a socialização e, claro, uma liderança inspiradora, ou no mínimo, justa.
P de Promotion. Exige-se um processo de comunicação interna tão poderosa como a publicidade para os públicos externos, com momentos participados, de vivência dos valores da empresa. Começa na informação e partilha de conhecimento, atempada, sem o “rádio alcatifa”, formal e informal.
“Aim to the heart”: lembro-me desta frase, de uma organização que desenvolveu uma campanha interna, pedindo aos seus líderes que “apontassem para o coração” dos seus colaboradores. Com um pequeno orçamento mensal, os líderes tinham de dinamizar pequenas ações pela equipa. Uma chefia levou a equipa a um concerto, outro comprou uma mesa de matraquilhos e outro comprou quilos de gomas…
Não é caso único; nalgumas organizações há lanches oferecidos, fruta, massagens e meditação para os colaboradores, noutras, há um longo caminho a percorrer.
O importante é que todas as organizações percebam que é fundamental ter esse “quê”, necessariamente apelativo e tão necessário para maravilhar os clientes como os colaboradores, para se tornarem a empresa de que se fala e onde toda a gente quer trabalhar.