As soft skills são as que perduram

O mercado laboral está dinâmico e a tendência em Portugal é para a taxa de desemprego continuar a diminuir. O Orçamento do Estado para 2019 tem no seu cenário macroeconómico uma taxa de desemprego de à roda dos 6% e com tendência decrescente. O que significa que em breve poderá haver mais oferta do que que procura.

Também nos EUA, pela primeira vez desde que o governo federal começou a monitorizar as vagas de emprego, em 2000, há mais ofertas de emprego do que há pessoas desempregadas para as ocupar. Em teoria, tudo o que quem procura emprego precisa de fazer é enviar o seu CV e aparece uma vaga.

Mas a realidade é um pouco diferente. Nos EUA, em média, ainda demora nove semanas a quem procura encontrar um emprego. E também não é fácil para os empregadores. Um estudo da Society for Human Resources Management revela que preencher uma vaga custa, em média mais de 4000 dólares e demora 42 dias. Segundo uma outra análise, esta do Glassdoor, processo de entrevistas demorava apenas 13 dias em 2009 e em 2015 aumentou para 23 dias. O mesmo relatório diz que o processo é ainda mais demorado no Reino Unido, França, Alemanha e Austrália.

O mercado de trabalho aparece assim disfuncional e são cada vez mais os softwares e as empresas de recrutamento que, em vez de apresentarem dezenas de candidatos para uma função utilizam a tecnologia para recomendar menos candidatos, mais depressa. Mas, por exemplo, usar em exclusivo um algoritmo para encontrar um candidato a um emprego baseando-se apenas no seu backgound pode ser uma desvantagem para trabalhadores com carreiras atípicas e para as organizações que ficam sem conhecer todos os “lados” do candidato. E apesar de todo este desenvolvimento tecnológico, no qual a Inteligência Artificial (IA) e os algoritmos adequam as competências e as hard skills às vagas em aberto, as soft skills serão decisivas.

Se se perguntar a alguém qual é a skill mais importante na atualidade, a resposta mais normal será código e programação. Mas o CEO do LinkedIn tem uma resposta diferente.  Como líder do maior site de networking profissional, Jeff Weiner é, potencialmente, das pessoas com acesso a mais informação, e mais detalhada, sobre emprego. Sabe que empregos é que as pessoas oferecem, que empregos é que as pessoas têm e que empregos é que as pessoas procuram. E segundo o executivo, a principal lacuna que existe é a de soft skills.

De acordo com o CEO do LinkedIn, o que a maioria dos empregadores quer são capacidades fundamentais para o sucesso de equipa, nomeadamente a comunicação, a tomada de decisão, a liderança, a gestão de tempo e recursos e, ainda, a orientação para objetivos.

Não importa que os salários indiquem que as competências técnicas sejam agora valorizadas. As soft skills têm o poder de perdura. Weiner refere que mesmo com o poder que a IA está a ganhar e vai continuar a ganhar, ainda estamos muito longe de os computadores poderem replicar e substituir a interação humana e o toque humano e que este é um incentivo ótimo para as pessoas desenvolverem estas competências, uma vez que estes empregos serão mais estáveis durante um maior período.

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