Há crise de Talento em Portugal?

Margarida Silva, NEves de Almeida HR COnsulting

Precisamos de uma nova mentalidade e de uma verdadeira revolução para desenvolver estratégias no âmbito do talento, superar desajustes e ser competitivos no mercado de trabalho. E mais, corremos o risco de criar gerações obsoletas se não nos empenharmos seriamente em fomentar o seu desenvolvimento.

Nos últimos 26 anos a Neves de Almeida | HR Consulting tem criado respostas para a transformação profunda do contexto organizacional, com um olhar atento sobre tendências, uma ousadia na abordagem e uma paixão pelas dinâmicas dos Recursos Humanos. Queremos continuar a guiar e a orientar empresas, através de soluções inovadoras, alinhadas com as melhores práticas internacionais e com os desafios do mercado, mas acima de tudo transformar as organizações e potenciar aquilo que estas têm de melhor — o seu Talento.

Por isso, resultados como os espelhados no Índice do Capital Humano, desenvolvido pelo Fórum Económico Mundial, fazem-nos arregaçar as mangas para o longo trabalho que temos em mãos. O relatório revela que cerca de 62% do capital humano a nível global está desenvolvido e que relativamente a cada país analisado, 130 ao todo, apenas 25 nações atingem um nível de desenvolvimento deste fator de 70%. A maioria dos países encontra-se entre os 50% e os 70% no desenvolvimento do seu capital humano. Portugal insere-se nesta categoria uma vez que, de acordo com o relatório de 2017, tem cerca de 65,7% do seu capital humano desenvolvido. Entretanto, 14 outros países mantêm-se abaixo dos 50%. Em 130 países avaliados, Portugal encontra-se em 43º lugar do ranking. No entanto, quando abordamos apenas a região geográfica da Europa Ocidental, bem classificada em relação a outras áreas, Portugal encontra-se entre os países com menor desenvolvimento do capital humano.

Os países foram avaliados em quatro áreas-chave para o desenvolvimento do capital humano: a Capacidade, que é determinada pelo investimento feito em Educação; a Implementação, que é a aplicação e acumulação de habilidades através do trabalho; o Desenvolvimento, que se baseia na educação formal da força de trabalho da próxima geração, a melhoria contínua e a recuperação dos trabalhadores existentes; e o KnowHow, que mede a amplitude e a profundidade das habilidades especializadas no trabalho. O desempenho dos países também é avaliado em cinco grupos etários ou gerações distintas: 0-14 anos; 15-24 anos; 25-54 anos; 55-64 anos; e 65 anos ou mais.

Por curiosidade, o Top 10 do Índice deste ano é composto por Noruega (1º), Finlândia (2º), Suíça (3º), Estados Unidos (4º), Dinamarca (5º), Alemanha (6º), Nova Zelândia (7º), Suécia (8º) Eslovénia (9º) e Áustria (10º).

De um modo geral, Portugal encontra-se dentro dos níveis médios da pontuação, podendo-se destacar, contudo, que o Knowhow e o Desenvolvimento se encontram acima da média global. Quanto ao Desenvolvimento, é ainda possível prever que a tendência é de melhoria significativa da Educação da próxima geração. O Knowhow apresenta uma pontuação baixa para o emprego altamente qualificado, sendo que a qualificação média é o que apresenta uma maior pontuação. As tendências dos dados analisados demonstram que relativamente à Capacidade, as faixas etárias mais jovens apostam cada vez mais na Educação, pois completam cada vez mais o ensino secundário e candidatam-se ao ensino superior. A Implementação demonstra que a faixa etária dos 25-54 anos apresenta uma maior força de trabalho. É possível concluir a partir destes dados que o acesso à Educação em Portugal é bastante mais elevado para a próxima geração e que a nível global não apresentamos uma capacidade de implementação muito abaixo da média.

Ainda assim, há um longo caminho a percorrer em conjunto. Há que potenciar lideranças excecionais, construir equipas fortes, encontrar e desenvolver talento, proporcionar experiências inesquecíveis e promover o sucesso de qualquer organização. E nós estamos aqui para preparar as pessoas para o futuro do trabalho.

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