O que tem a Lua a ver com a mudança?

Lua
(fonte)

O meu bisavô foi uma pessoa que me ensinou e, aos 5 anos, uma das coisas que aprendi com ele foi o motivo pelo qual a Lua “tinha manchas”, uma questão à qual mais ninguém me soube responder. Fiquei a saber que as manchas na Lua eram de uma pessoa que tinha trabalhado num feriado, porque os feriados são para descansar e não para trabalhar e tinha sido uma espécie de castigo. O meu bisavô era muito pedagógico, de uma forma criativa.

Vivi durante muito tempo com essa crença, tranquila por ver que os que me eram mais queridos não trabalhavam nos feriados e, portanto, não corriam o risco de ir para a Lua. Um dia, tudo mudou! A minha mãe ia trabalhar num feriado e eu sabia, sabia para onde ela ia e que ia ser mais uma mancha na Lua! Chorei, chorei e nada do que me diziam me descansava…nessa altura já não tinha o meu bisavô comigo e era ele o único que teria resposta às minhas inquietações. E de nada adiantava dizerem-me que era apenas uma história!

Até que o meu pai, pacientemente, se sentou comigo e me explicou, desde o início: quem era o meu bisavô, as características que tinha e as histórias que gostava de contar, tranquilizando o meu coração…

E daqui retirei alguns ensinamentos que agora transponho para a forma como vejo a mudança, especificamente a mudança organizacional. Aprendi que uma mudança para ser aceite e implementada tem de ser pensada e preparada e, acima de tudo, tem de conquistar as pessoas que vão ser afetadas…forçar as pessoas, impondo-lhes a mudança, é uma estratégia muito pouco sustentável para o sucesso. Para ser aceite, a mudança precisa de ser compreendida e isso implica a consulta e o envolvimento das pessoas.

Quando uma mudança não é compreendida, as pessoas terão dificuldade em lidar com ela. Todas as mudanças encerram em si uma parte inquietante, de incerteza, mesmo aquelas mudanças que mais desejamos! O que se espera dos líderes e gestores é que exerçam uma influência apaziguadora, que acalme as inquietações naturais do processo.

As pessoas devem ser guiadas no sentido de perceber, por exemplo, os objetivos da mudança, a necessidade de ela ocorrer e os benefícios que representa, porque existem sempre pontos positivos. Cabe ao líder conseguir levar as pessoas a valorizar mais os aspetos positivos e menos os negativos.

A responsabilidade da gestão de uma mudança organizacional é repartida: aos líderes exige-se que a facilitem e prestem o apoio necessário, comunicando e envolvendo as pessoas; das pessoas afetadas por uma mudança organizacional espera-se que deem o seu melhor contributo.

Por fim, a responsabilidade na gestão de mudanças que encerram em si más notícias…essas, tal como a notícia da morte de um ente querido, requerem um cuidado especial e apoio acrescido por parte do líder. Com o meu bisavô, foi exatamente assim…foi ele próprio que me deu a notícia, me preparou para a mudança, me apaziguou todos os receios.

Custou-me habituar à ideia de não o ter, mas aceitei que faz parte da vida e que ele teve de fazer uma viagem muito grande…quem sabe para a Lua.

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